A qualidade que não é de vida
Capítulo 12 (final)
O Silêncio das Respostas
Meses se passaram desde o encerramento daquela busca. O antigo caderno agora repousava entre livros de memórias, como um vestígio respeitoso de um tempo que, embora perturbador, os ensinou sobre coragem, união e limites. Santa Rosa também seguia seu caminho — a cidade que antes parecia esconder tantos mistérios agora se revelava apenas como ela era: viva, cheia de histórias, e feita de gente comum.
Na nova casa, o aroma de café fresco pela manhã se misturava ao som das risadas infantis. A pequena Helena, agora com quase dois anos, corria pelos cômodos com a curiosidade dos pais nos olhos. Maria, sentada no sofá, observava seu ventre crescer com serenidade. Um novo bebê estava prestes a chegar, e com ele, não mistério — mas promessa.
Gabriel fechava o notebook após mais um dia de trabalho remoto. Olhou pela janela. A cidade parecia tranquila, envolta em um silêncio acolhedor. Ao lado da cortina, uma caixa com papéis antigos chamava sua atenção. Ele sorriu, pegando uma das cartas de Helena, agora cuidadosamente plastificada.
— Sabia que, no fim das contas, Helena e Pedro só queriam entender o mundo como nós? — comentou, sentando-se ao lado de Maria.
Ela encostou a cabeça em seu ombro.
— Mas, ao invés de encontrarem respostas, se perderam nas perguntas.
— Talvez porque estavam sozinhos — ele disse. — Nós tivemos um ao outro. E agora, temos nossa família.
O toque do interfone os interrompeu. Era um buquê enviado pela equipe da Rummo Imóveis, que se tornara quase parte da família desde que ajudaram na mudança. O bilhete dizia: "Parabéns por mais um capítulo da vida. Que ele seja doce, leve e cheio de amor. Conte sempre conosco."
Maria sorriu emocionada. Gabriel a abraçou com força. Ali, entre tantas páginas viradas, uma nova história estava sendo escrita. Sem segredos, sem códigos, sem encontros à meia-luz. Apenas vida, autêntica e tranquila.
Naquela noite, ao deitarem-se, ouviram novamente a chuva cair. Mas desta vez, ela não trazia mistério. Era apenas um som de fundo, embalando o sono de quem enfim encontrou a paz.
E assim, como o último parágrafo de um livro antigo, as perguntas deram lugar ao silêncio das respostas.
Um silêncio confortável.
Pleno.
Final.
Santa Rosa, 01/05/2025.
Agradecimentos/Créditos a Rummo Imóveis Ltda
